Última Moda
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Alcino Leite Neto - ultima.moda@folha.com.br
A volta do filho pródigo As criações de Francisco Costa para a Calvin Klein chegam pela primeira vez ao Brasil na nova loja da grife na Daslu
Um dos principais estilistas do mundo, o brasileiro Francisco Costa terá suas criações para a Calvin Klein vendidas no país pela primeira vez. No próximo dia 3, será inaugurada em São Paulo a primeira loja latino-americana da Calvin Klein Collection -o prêt-à-porter da grife-, da qual Costa é diretor de criação desde 2003. A loja de 107 m2 será na Daslu e, além de looks da coleção primavera-verão 2007, terá bolsas e sapatos. Será a oportunidade para as brasileiras conferirem bem de perto a criação de Costa, um estilista bastante autoral, com gosto acentuado pela elaboração arquitetônica das roupas e que busca uma elegância contemporânea, inteligente, sedutora e afirmativa. Nascido em Guarani (MG), Costa, 41, trabalhou com Oscar de la Renta e na Gucci. Em 2003, foi indicado por Calvin Klein como o seu substituto. Em 2006, ganhou o prêmio do Conselho de Estilistas da América, o Oscar da moda nos EUA. A seguir, o designer fala sobre suas coleções e o estilo das brasileiras. "Para que essa cabelada loira toda, meu Deus?", ele se pergunta, a respeito da febre atual de cabelos oxigenados. "Vamos assumir o Brasil."
 FOLHA - Você acha que a sua roupa será bem compreendida no Brasil? FRANCISCO COSTA - Acho que sim. Não sei se tudo irá funcionar, mas é uma coisa que vamos aprimorar aos poucos, inclusive desenvolvendo peças especiais para o Brasil. Para mim, é importante ter minhas roupas no país, pois minha essência está aí. Esta loja vai me aproximar mais do Brasil. É como se eu estivesse voltando para casa. FOLHA - Quanto sobrevive de um estilo brasileiro na sua criação? COSTA - Tenho um estilo internacional. Mas o que trouxe do Brasil e cria a minha diferença é a sensualidade própria do país, que também combina com o estilo do Calvin, mas como complemento do ser da pessoa. FOLHA - Por que o elemento esportivo é importante nas suas coleções? COSTA - Foi uma idéia mais forte na primavera, e isso se deve ao fato de que tudo está mudando muito rapidamente, inclusive as mulheres. Elas estão mais envolvidas na dinâmica do trabalho e da vida urbana. Tudo isso pede uma agilidade e uma praticidade que busco expressar na roupa. Tem a ver também com a juventude, uma evolução em termos de silhueta, de tecidos e de conceitos. Mas eu diria que o elemento arquitetônico é o mais importante nas coleções. Esse gosto pela construção eu aprendi em Minas, na confecção de minha mãe, ao ver como eram feitas as roupas, os bordados... FOLHA - Para onde vai a moda? COSTA - Estamos num período muito chato. As pessoas não sabem mais o que é moda, o que é válido e o que não é. O business está dominando em excesso, há uma grande indiferença em relação ao designer. FOLHA - O que você gosta e o que não gosta no estilo das brasileiras? COSTA - Existem pessoas chiquérrimas no Brasil. Mas existe uma atração muita grande pela vulgaridade -não só aí, mas em todo o mundo-, devido a uma série de fatores, inclusive econômicos. Tenho pavor de barriga de fora, por exemplo. Para que, se a brasileira já é tão sensual? Já é tempo de ela ter mais autoconfiança. Acho que as brasileiras também estão carregando muito na maquiagem. Não vejo necessidade, num país tão claro e com tanto sol. E para que essa cabelada loira toda, meu Deus? Vamos olhar para a Sonia Braga, as Gabrielas da vida. Vamos assumir o Brasil.
Empresário que controla VR e Mandi traz prêt-à-porter da Calvin Klein "Estamos aprendendo a entender a moda feminina", diz o empresário Alexandre Brett, que está abrindo a primeira loja do cobiçado prêt-à-porter da Calvin Klein. As roupas para mulheres não foram até agora o forte da sua empresa, mas isso não impediu que ele criasse um dos negócios mais poderosos da moda brasileira. Brett, 35, comanda -ao lado de seu irmão Eduardo- a BR Labels, dona das grifes masculinas VR e Mandi e sócia na distribuição brasileira da Calvin Klein Jeans. A VR Menswear, adquirida em 2002, tem hoje 35 lojas e é responsável por 60% do faturamento da BR Labels -enquanto 30% vêm da CK Jeans, lançada no país em 2005 e hoje com 19 lojas. Onde Brett coloca a mão, as coisas começam reluzir a ouro. A Mandi cresceu 60% desde que a BR Labels se associou à marca de Marcos de Moraes e Marcelo Loureiro e comprou as operações da grife, em 2005. Saltou de quatro para nove lojas -e vai inaugurar outra em Salvador. A empresa possui ainda a VR Kids, para meninos. Brett começou cedo na moda. Seu avô, o húngaro Estevão, fundou no Brasil a Vila Romana nos anos 50. Seu pai, Ladislau, e o tio, André, herdaram o negócio e acrescentaram a ele licenciamentos da Calvin Klein e da Pierre Cardin para o Brasil. Alexandre trabalhou como vendedor numa das lojas Calvin Klein da família, quando tinha 17 anos. Nos anos 90, os Brett deixaram o controle da Vila Romana -da qual a BR Labels comprou a VR Menswear. "Não tenho uma máquina de costura sequer", conta Brett. Toda a produção das suas grifes é terceirizada e confeccionada no Brasil, exceto o underwear Calvin Klein, que é importado. Os jeans CK são feitos no país e aprovados pela matriz, o que permite preços -entre R$ 200 e R$ 400- bem abaixo dos de outras marcas estrangeiras. "Nossa coleção de jeans ainda será vendida nos EUA", diz Brett. "Quando chegam no Brasil, os estrangeiros se surpreendem com a força das marcas locais. O Brasil é muito competente em termos de moda." Trazer a Calvin Klein Collection ao país é um dos maiores riscos já enfrentados pelo empresário. Na sua primeira investida na moda feminina, ele também escolheu uma das grifes mais sofisticadas do universo fashion. "Mas creio que é um momento propício, pois as brasileiras estão cada vez mais bem informadas", afirma. Para começar, virão cerca de 80 looks -e as peças das pré-coleções serão em maior número, já que são menos complexas que as da coleção principal, aquela mostrada no desfile. Para tudo ficar mais interessante, o próprio Francisco Costa explicará a sua coleção para 50 clientes top da Daslu, numa tarde regada a champagne.
Fast fashion
RAIOS E TROVOADAS O empresário Renato Kherlakian, fundador da Zoomp, vai criar uma nova grife. A estréia da marca acontece em maio, com o lançamento de uma coleção de verão. Renato vendeu a Zoomp em 2006 e permanece como diretor de criação da grife até o fim de seu contrato, que termina em 14 meses.
O TRUQUE DE KATE Kate Moss enfureceu alguns fashionistas após declarar que a linha de roupas que desenvolveu para a cadeia de lojas Top Shop é formada por "amostras" de seu vasto closet. O "New York Post" disse que a top se limitou a reproduzir peças de outras grifes, e o designer britânico Jeff Banks acusou-a de ser uma oportunista incapaz de desenhar. Com a polêmica sobre as cópias, os críticos até criaram um apelido maldoso para a coleção:"Duplikate".
LILICA EM DOBRO A grife infantil Lilica Ripilica, do grupo Marisol, abriu duas novas lojas na Europa: uma na Cidade do Porto, em Portugal, e outra em Madri, na Espanha. A marca também tem duas lojas na Itália, uma delas na luxuosa Via della Spiga, em Milão. by estilo uol
com VIVIAN WHITEMAN
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